Homenagem ao DeRose – 50 anos de ensino

Mais um 18 de fevereiro. Além de comemorarmos o Dia do Yôga, também comemoramos o aniversário do grande educador, amigo, conselheiro, mestre, escritor DeRose. Esse ano, ainda mais especial, comemoram-se cinco décadas dedicadas ao magistério. Em um momento tão importante  assim,  não teria melhores palavras para homenagear DeRose, senão pelas escritas pelo colega Alessandro Martins, lidas durante o evento parám-paraná2010.

Se fosse possível sair a pé de nosso planeta – e se andássemos durante tempo o suficiente, com a felicidade da direção correta – chegaríamos, em algum momento, à estrela chamada Proxima Centauri.

Excluindo-se o Sol, ela é a estrela que mais perto está de nós. A 4 anos luz daqui. Isto é: se viajássemos na velocidade da luz, ainda assim, demoraríamos 4 anos para atingi-la.

Andar esses 40 trilhões de quilômetros, ainda que a passos largos e rápidos, sem pausas para dormir e comer, levaria, arredondando, um bilhão de anos.

Creio que ninguém nesta sala viverá o suficiente para assistir a tal prodígio.

Ainda assim, convido você a imaginar um viajante solitário a percorrer esse espaço assombrosamente vazio durante tal tempo: não cem anos de solidão, mas um bilhão.

De vez em quando, ele confere o mapa que traçou, o caminho que deixou e o que virá. E, sem perder mais tempo, segue em frente.

Visualize o esforço, perpetuado por mil vezes mil vezes mil anos, para chegar a esse lugarejo chamado Proxima Centauri. Que é apenas a modesta primeira parada de um Universo tão amplo que nos é impossível abarcar, mesmo com os pensamentos mais grandiosos.

O trabalho do homem que escreve e educa é assim, por vezes. Solitário.

Tanto quanto o desse nosso personagem que, agora há pouco, imaginamos. Embora, é claro, nossa vida esteja limitada a cem, cento e cinquenta anos, sendo-se muito mais otimista do que permitem as últimas estatísticas.

No entanto, para esse homem, de fato determinado e comprometido com o que professa, um bilhão de anos cabem, sim, em 50. Cabem em um segundo, se preciso. Cinquenta anos são muito tempo e, paradoxalmente, são pouco.

Esse homem, assim, é aquele que palmilha primeiro o caminho que gostaríamos de ter percorrido e que, com a tutela de suas palavras, assim percorremos.

É o que usa as exatas frases, dizendo antes aquilo que nem sabíamos que gostaríamos de ter dito. E aglutina homens e mulheres, pessoas que querem chegar a algum lugar, em torno daquilo que diz e daquilo que escreve.

Compartilha, desso modo, uma saga, então sua, mas que, agora, é também nossa. Nossa Saga.

Ele enfrenta com antecedência as distâncias, para que nós, seus parceiros de humanidade, nos percebamos tão próximos quanto possível. E não distantes como o viajante solitário de que falávamos no início. Na ficção, os lugares assim são inúmeros: por vezes, estamos juntos em Pasárgada; outras vezes, Terra do Nunca, Oz, Macondo, Metrópolis.

Porém quando o escritor traz em si também a figura do educador, como é o caso, ainda outro fenômeno se dá: esse lugar onde nos reunimos, que na ficção é imaginário, se transforma em aqui e agora, em algo palpável. Esta sala, esta cidade, este planeta, este universo. Aquele que educa, ao mínimo gesto transformador, apaga as fronteiras.

Ao apagá-las, curva o espaço e o tempo. As pontas da linha que une o ontem distante e um amanhã antes improvável se tocam neste neste exato momento. Latitudes e longitudes diversas se estreitam em um único ponto.

DeRose faz, assim, 50 anos nesse papel. Ao olhar em torno de si, nessa longa jornada, vê os rostos de outros que compartilham de seus valores e ideais. Entre o ponto de partida e agora, outros passos ecoaram e ecoam ao lado dos seus. Inúmeros ainda virão.

A estrela mais próxima está 4 anos-luz daqui. Um homem, sozinho e a pé, levaria para chegar até ela 1 bilhão de anos. Poucos homens podem dizer que em 50 conquistaram tão numerosos semelhantes, dispostos a compartilhar a caminhada para objetivos que se supunham ainda mais distantes que isso.

DeRose, nesses 50 anos de magistério, nos mostrou que para nós, unidos, as estrelas estão, na verdade, ao alcance da mão.

Crédito

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About Julio Simões

Júlio Simões é Instrutor do Método DeRose com ênfase em qualidade de vida e alta performance.